Archive for the “Processo Criativo” Category


Pequeno formato é um grande problema.

Enquanto os trabalhos maiores se resolvem a medida em que vou fazendo, os pequenos ficam ali. Me olhando.

Olhando…

E acaba que termino-os quase no mesmo tempo em que acabo um desenho grande.

Desenho continua não me servindo pra nada.

Só os pequenos.

Ficam ali. Me olhando, me olhando…

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Na verdade, a história de dois desenhos:

São dois desenhos separados, mas feitos juntos.

Aguada com guache amarelo e impresso um no outro, além de deixar a tinta escorrer. Não necessariamente nesta ordem e repetido algumas vezes.

O fundo amarelo pede um contraste tridimensional preto. Um dos desenhos leva um grafismo magenta e os dois geram um outro desenho iniciado a partir de impressões do nanquim ainda molhado:

Depois sobreponho uma folha na outra de modo a não ver parte dos dois desenhos ao mesmo tempo que formo uma nova configuração e, tomando os dois como um só trabalho, retomo com os marcadores magenta, amarelo e azul os grafismos e as áreas de cor:

Agora, concentro-me no primeiro desenho e trabalho cada vez mais na idéia de um falismo reflexivo e em todos os momentos construo o espaço de modo que o trabalho volte cada mais para si mesmo, numa força centrípeta:

Volto a trabalhar nos desenhos como se fossem um só para liberar o primeiro da força centrípeta e para dar uma cara ao segundo, que ainda não está definido. Utilizo nanquim e novas impressões entre os dois trabalhos:

Virando o segundo desenho, espero que ele, por si mesmo, defina seu caminho:

Como a mágica não acontece; emputecido, volto ao primeiro desenho, onde já sei (quase) tudo que posso tirar dele:

Concentrei-me, no desenho acima, principalmente no azul, que tiraria a expansão amarela e, ao redor do rosto, reforçaria sua introspecção em direção ao Falo.

Depois, como não havia idéia de espaço contínuo, ou seja, era tudo figura/fundo, formei um novo universo, uma nova superfície, com diferentes tipos de grafite:

Era muito importante que o grafite imitasse as outras superfícies ao mesmo tempo que criava áreas e desenhos internos próprios. Isso porque é necessário que haja interpenetração dos elementos e diálogo da obra com ela mesma, dois importantes aspectos daquilo que chamo “construção do espaço pós-moderno”.

A quase conclusão do primeiro desenho fez com que eu me voltasse ao outro. Agora não mais indefinido porque quando se trabalha em dois desenhos ao mesmo tempo, um contamina o outro e, como se tivesse usando uma ponta seca, fiz linhas muito incisivas no segundo desenho:

Para não deixar que as áreas em branco dispersassem o desenho, usei muita água escorrida com tinta guache azul. Depois, imprimi o desenho numa folha branca e mais outro desenho surgia dos dois.

Imprimindo o segundo no primeiro desenho, finalizo o trabalho no desenho fálico:

Agora, quase pronto e já reconhecendo-o, mais grafite:

Para finalizar, a linha magenta com o marcador.

E aí vão o segundo e o primeiro desenho, ambos prontos:

Para fazê-los usei guache, grafite, esferográficas (que não dá pra ver aqui, por isso nem falei sobre elas), nanquim e markers.

Levei, entre sábado e domingo, quase oito horas trabalhando neles.

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Não creio que haja arte pós-moderna. Muito provavelmente ela nem terá este nome, dada a quantidade de gente marqueteira utilizando esta denominação.

Porém, tenho algumas esperanças em uma arte diferente da contemporânea, que - para mim - é só um interessante desdobramento da arte moderna.

O Pedro Doria escreveu um post interessante a respeito do momento em que vivemos e acho legal explicar o porquê do site ter esse nome ao mesmo tempo em que não acredito na existência de uma arte pós-moderna nos dias de hoje. Acredito em algumas sinalizações de que a definição de arte está novamente mudando.

O primeiro ponto é o fim da dualidade de pensamento e, principalmente, o fim das escolhas ideológicas simples, do tipo esquerda e direita. Isto é resultado de um processo de pensamento, globalização, economia, etc muito intrincado. Basta dizer que todas as grandes nações são interdependentes. E todas são continentais. E terão pesos muito distintos dependendo do momento histórico. Será difícil um acordo em muitos pontos das áreas política e comercial, por exemplo.

Considero (eu e mais um monte de gente por aí) que os países mais importantes - e nem dá pra dizer que haverá uma ordem em importância, tamanha a interdependência entre as nações - serão os EUA, a Europa e os integrantes do que hoje é chamado BRIC, Brasil, Rússia, Índia e China.

Portanto, o fim da possibilidade do pensamento dual é o primeiro fator.

O segundo é a forma de como o conhecimento é adquirido e transmitido. Hoje já existem alguns problemas em relação à falta de hierarquia no aprendizado; não é mais de cima para baixo.

Basicamente este fator deve-se a internet e todas as mudanças que ela trouxe e trará.

Acredito que a geração que cresceu com o muro de Berlim sendo destruído e com a internet sendo criada - e esta não é uma questão de idade e sim da influência que tais acontecimentos tiveram na vida destas pessoas - será tão fecunda quanto a geração que criou a pop art chutando as portas do modernismo.

E será fecunda porque estas pessoas podem fazer a ponte entre dois mundos completamente diferentes, por mais que haja muita gente querendo se jogar da ponte antes mesmo dela ser construída, como pode ser verificado nos comentários do post do PD.

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Já falei isso por aqui. Mas como tem muita gente procurando pelo termo “imprimação de telas” e caindo aqui no arteposmoderna.NET, vou deixar a minha receita.

Veja bem, a minha receita, porque há várias outras e você deve testar qual se adapta mais ao seu gosto no embate com a tela.

Eu gosto de pintar sobre uma superfície dura e áspera, cheia de pontos grossos. Por isso uso uma tela de algodão crú bem grosso.

Depois passo a seguinte mistura sobre o tecido já molhado e bem esticado (é importante molhar o tecido antes de esticar, pois a água deixa o algodão mais maleável):

Em partes iguais, misturo água, cola cascorez (aquela do rótulo azul) e tinta latex (é importante que essa tinta seja de boa qualidade, de preferência tratada com produtos anti-fungo). Para proteger melhor a mistura contra os fungos, adiciono algumas gotas de óleo de cravo.

Passo essa mistura uma vez no verso da tela. Depois passo na frente e, no dia seguinte, dou uma outra demão na parte da frente da tela.

E está pronta. :mrgreen:

Qualquer dúvida, é só mandar uma mensagem aqui nos comentários ou no meu e-mail.

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Não é possível prever o resultado ou efeito da aplicação da cor através do método científico.

A cor não é um conjunto de ondas espectrais.

Pelo menos na pintura não é.

Cores complementares, disco de cores tonais, efeito psicólogico das cores… tudo isso não me basta. Aliás, nada disso me basta. Não isoladamente.

Nenhuma cor pode ser estudada isoladamente por causa de sua natureza mutável.

A cor muda conforme a cor que a acompanha.

A mesma intensidade de amarelo (por exemplo, o limão) não é igual em situações espaciais diferentes. O amarelo-limão sozinho é diferente do amarelo limão ao lado do verde-veronese ou do vermelho da china; e seria também diferente conforme sua localização espacial no quadro, ou seja, o amarelo que vemos na parte de cima do quadro é diferente da percepção que temos dele quando está posicionado ao lado no quadro.

Acrescente-se ainda as várias camadas de cores sobrepostas umas às outras e teremos infinitas modulações da teoria da cor, bem como dos efeitos consquistados por cada uma dessas cores.

O espaço e a cor são estabelecidos por campos de cor e por comparações com o campo de cor que os rodeiam e aquilo que está embaixo de cada camada pictórica. Normalmente são várias camadas que se penetram e interpenetram em cada campo de cor ou espaço pictórico; são várias as dimensões da cor e todas convivem entre si, todas são sujeitos independentes e desta forma são tratadas. O mesmo vale para os campos de cor, que são uma espécie de macrocosmos do microcosmos “cor”.

E é assim que estou trabalhando na construção daquilo que chamo de espaço pictórico da pintura pós-moderna.

Por hoje é isso. Depois tem mais.

:mrgreen:

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